19 January, 2011

Reifardo




Ao chegar em minha terra, sob circunstâncias tão específicas, senti o calor me pesar na cabeça como se fossem 30 sóis. Em menos de 02 dias, a saúde de meu pai declinou de tal maneira que todo minuto parecia ser O Minuto. No mesmo dia fui ao hospital, de branco no corpo e amarelo na alma, ver com meus olhos aquele que me chamava. E quem vi foi um homem magérrimo, de ossos incrivelmente expostos, pele seca e manchas de sangue coagulado pelos braços, rosto caveiroso e olhos tão fundos, perdidos em espasmos e viagens de morfina. Engolindo seco, peguei sua mão e massageei-lhe a testa e o peito; com tantos ossos do seu esterno em meus dedos, mirei sua íris acinzentada e desabei num soluço que não pude segurar, nem queria. Era ele, era a Hora. 

Ao choque do primeiro momento, amanhecia o dia quando soube que amigos se encontrariam para meditar, e resolvi ir. Algo me dizia que indo até lá, eu ajudaria mais meu pai do que estando com ele fisicamente.
Após todos os saludos, inicia-se a Viagem. E nos meandros escuros dos meus pensamentos, vejo meu pai, que dorme e sorri o sorriso desdentado,como o que me dava todos os dias pela manhã. E então ecoa..

 Rena, eu tou tão cansado...

Ecoa.

Pois vai...

 É.... acho que eu vou...

Horas mais tarde, no hospital, um sorriso brota em meio às alucinações, pela primeira vez em meses. Percebo que aquele sorriso nos agradecia.. "Ei, que bom te ver", e colocamos nossas mãos no coração, e num abraço, repito: "pois vai".  Um toc-toc leve atrás de mim, meu irmão chama. Talvez não passe dessa noite. E finalmente entendi. Pois vai.. acho que é Agora.

2 comments:

Renata said...

e depois de meses, eu sonhei com o Amor.

Thiago Jorge said...

Nunca mais falei com você, mas sempre lembro dos bons e inesquecíveis momentos da nossa época high school.
Então.. Força Renatona. Força.