18 May, 2011

sueño


As pontas dos dedos escapam nas tuas tantas peles e se rumam às tuas curvas, de um jeito demente e saudoso que eu só mesmo lembro. O topo dos teus seios, as nuances das tuas coxas, todo o conjunto de sutileza que teu corpo cultiva por vezes me rebenta de saudades, de almejos de estar outra vez por estes mesmos espaços. Eu habito teu beijo a cada nova semana, enquanto a TV te parece cada vez mais sem sentido. Tu desliza o xadrez da minha camisa enquanto faço compras pro jantar de sexta. Busco tuas pistas nos olhares perdidos de moças que nem sequer me olham, salivo teus ombros no intervalo de um filme qualquer. Tu não existe, mas estás de forma tão castanha e acinturada na minha sala que parece ser romance na madrugada.
Cheiro doces, pele finas, pulsos fracos. Me faz falta te reclamar cuidado, te romper os zelos com minha força bruta. Me dão saudades as finuras, me lamentam as finezas. Voltem, queridas, que eu as sigo todo o sempre, no rebolado das escadas, nos abraços de corredor. Nosso sexo pinta paredes enquanto morrem as horas. Até breve? Até quando.

1 comment:

Diego H. Zimermann said...

Olhe, faz muito tempo;
mas ainda tento te ler de uma vez, prendendo a respiração, como se tivesse tentando catar um grilo na mão.